Batida – Back to the theatre!

11 de Julho 2020 – BATIDA (do Pedro Coquenão) apresentou The Algorithm is not African no Teatro São Luiz. Primeiro espectáculo a que assisti depois do recolher imposto em março pela pandemia da Convid-19. Emocionante experiência. Aquele andar na rua a chegar ao teatro, aquele ver as pessoas à porta que esperam para entrar. Uma água das pedras na esplanada antes de começar. A sala estava só minimamente ocupada, por espectadores dispersos, talvez fossemos 50, aqueles que presenciamos a belíssima estreia de um dos primeiros espectáculos que em período de desconfinamento já reflecte este tempo crítico do regresso aos palcos, da cultura em extinção, das manifestações “black lives matter” em estado de emergência, das cidades paradas.

BATIDA foi ágil em táticas de aproximação ao público, reconhecendo que éramos poucos e criando um ambiente cúmplice, íntimo e descontraído – como aliás era o do cenário que disse ser feito de coisas que trouxe de casa – conjugando bem com a evocação dos espaços de convívio nocturnos que desapareceram para um tempo que já é distante e que não sabemos quando regressa. E nesse plano também conjugou uma declaração de amor ao continente africano e evocação a algo desaparecido, fazendo honras à sua naturalidade angolana e apontando o dedo à desigualdade de que se alimenta a corrupção que por seu lado é apadrinhada pelos líderes europeus que assim mantêm poder na era pós-colonial. Textos, Música, Live-cam, micro, objetos e dois arrebatadores bailarinos juntaram-se pela mão do DJ misturados, compositor numa obra simples, doméstica, profunda, que assinala novos tempos – hoje não em live stream mas em stream live.

Eu estava receosa de sair para além do estritamente necessário. Senti uma consciência alertar-me de imprudência como um prazer proibido. Foi um bom exercício de confiança no teatro que conheço tão bem. Afinal estávamos (o público) outra vez em casa! E claro que estava tudo bem cuidado, com o aparato de máscaras, desinfetante à entrada e frentes de casa muito atentos. Voltei a casa com a sensação de liberdade e inspiração após sair para ver um espectáculo que para mim era rotineira e que desaparecera e percebi como tinha saudades deste pulsar.

https://www.teatrosaoluiz.pt/espetaculo/batida-apresenta-africa-is-not-an-algorithm/

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